Diminuição da taxa de desemprego é maior entre os jovens e as mulheres

Dados do Ipea mostram que a queda da desocupação se destaca também entre os trabalhadores com ensino fundamental e médio. Contudo, informalidade ganha espaço nesse cenário

A taxa de desocupação apresentou queda em todos os segmentos da população em 2017, mas os resultados mais expressivos foram encontrados entre trabalhadores com ensino fundamental e médio, jovens e mulheres.

Segundo dados divulgados ontem (03) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o índice vem caindo em termos interanuais de forma consistente no Brasil.

Entre os trabalhadores com ensino médio incompleto, a taxa de desocupação caiu de 24,2% para 20,4% entre o último e o primeiro trimestres de 2017. Na mesma base de comparação, o desemprego entre os jovens recuou de 28,8% para 25,3%. No caso das mulheres, a desocupação passou de 15,8% para 13,2%.

Para a pesquisadora do Ipea e uma das autoras do estudo, Maria Andreia Lameiras, o melhor resultado desse grupo específico se deu porque eles foram inicialmente os mais afetados pela crise econômica.

“Os trabalhadores jovens e com ensino médio incompleto formaram a base mais depreciada. Portanto, no começo da retomada da estabilidade do País eles são os primeiros que apresentam um desempenho melhor, conquistando o espaço que haviam perdido.”

Porém, a recuperação desses grupos se deu principalmente pelo aumento do número de empregos informais, movimento considerado natural em um primeiro momento de retomada da economia.

Em termos regionais, observa-se a maior queda da taxa nas regiões Norte e Nordeste. Já os dados da região Sudeste foram influenciados negativamente pelo aumento da desocupação no Rio de Janeiro, resultado contrário ao avaliado nos outros estados.

“A grande maioria dos estados conseguiu reduzir o número de desocupados, mas o Rio se mostrou como uma exceção, devido, principalmente, a uma crise econômica interna juntamente com os problemas fiscais do governo estadual, que ocasionaram o aumento da taxa de desemprego e consequentemente afetaram o resultado de toda a região”, explica a pesquisadora.

Em relação aos rendimentos, o estudo mostra que, na comparação interanual, os maiores aumentos salariais foram recebidos pelos homens (2,6%), pelos trabalhadores com ensino médio incompleto (5,0%) e também pelos moradores das regiões Norte (5,4%) e Nordeste (4,3%).

A pesquisa também revela que, embora ainda esteja em situação bem menos favorável em relação ao período pré-crise, o setor vem apresentando maior dinamismo.

“Na comparação com 2017, os dados mais recentes mostram uma recuperação do mercado de trabalho, conjugando expansão de ocupação e de rendimentos. A consolidação da economia gera confiança aos empresários, que, por sua vez, começam a aumentar o número de vagas oferecidas no mercado formal”, apontou comunicado do Ipea.
Desalento

Os efeitos do aumento da ocupação têm sido atenuados pela forte expansão da força de trabalho. Os dados revelam que vem crescendo o número de trabalhadores marginalmente ligados à população economicamente ativa (PEA), que constituem uma parcela dos brasileiros que está na inatividade, mas deseja voltar ao mercado.

Além de exercer pressão sobre a PEA, pois esse grupo de indivíduos tende a se incorporar à força de trabalho à medida que as condições do mercado vão melhorando, essa mudança vem gerando aumento do desalento.

Carlos Henrique L. Corseuil, pesquisador do Ipea e também um dos autores do estudo, explica, no entanto, que o aumento do desalento nos últimos meses é decorrente de uma mudança de composição da população em idade ativa, e não uma piora nas condições do mercado. “Parte dos indivíduos, que antes estavam na inatividade e não tinham nenhuma intenção de trabalhar, incorporou-se ao grupo de pessoas que trabalhariam se conseguissem uma oportunidade”, entende.

Para o Ipea, essa transição em direção ao desalento não sinaliza uma piora nas condições do mercado de trabalho, apenas indica uma mudança de comportamento por parte da população brasileira.

FONTE: DCI

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