Roda de Conversa sobre ameaça de privatização das universidades públicas pelo neoliberalismo

Acadêmicos e professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) temem a privatização das universidades públicas brasileiras pelo sistema de governo neoliberal que vem sendo executado sorrateiramente no país. Diante dessa ameaça,  o Sista-MS (Sindicato dos Trabalhadores em educação da UFMS e Institutos Federais de Mato Grosso do Sul), ADUFMS, Curso de Filosofia e Coletivo Práxis trouxeram o assunto à tona e promoveram uma roda de conversa, com a presença do advogado e médico do SUS Wladimir Tadeu Baptista Soares, professor do Departamento de Medicina Clinica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense – UFF.

O médico e advogado tem feito palestras por todo o país alertando sobre as consequências do modelo de governo implantado no país desde o governo Collor, intensificado por FHC e com continuidade no Governo Temer. “O Brasil parece ser, atualmente, o grande laboratório da filosofia/doutrina neoliberal. Um pensamento econômico e político que visa, por meio do capital, um poder hegemônico mundial, e que vai se construindo a partir da descontrução de princípios e valores morais dentro de uma determinada sociedade”, explica.

Ressignificar e reconceituar as coisas é o modo de agir do neoliberalismo, afirma  Wladmir Tadeu Baptista.  “E faz isso mudando currículos escolares, precarizando as relações de trabalho, restringindo aumentos salasirais, demonizando servidores públicos e aposentados, privatizando serviços públicos sociais, desmoralizando sindicatos, acusando professores pela crise das universidades, acusando os profissionais da saúde pela crise no Sistema Único de Saúde, impondo princípios mercantis à administração pública, desqualificando os direitos humanos, afirmando ser o neoliberalismo a única alternativa para o crescimento de uma  Nação”, detalha.

Cléo Gomes, coordenadora geral do Sista-MS, promotora da roda de conversa com professores, acadêmicos e servidores em geral da UFMS e institutos federais de educação de MS, presente aos debates, disse que “A roda de conversa é de extrema importância, pois veio em um momento providencial. Acabamos de receber mais cortes financeiros na área de educação e, além disso, o governo tenta induzir a população, através de pesquisa online, pela aprovação/aceitação de cursos da área de humanas via EAD. Também, não podemos esquecer que os recursos para educação e saúde estão congelados por 20 anos – com a aprovação da EC 95”.

Para Cleo Gomes, vivemos um momento de grande ataque do neoliberalismo no país e em toda América Latina. “É muito importante que a população tome consciência do que está acontecendo, principalmente os acadêmicos. Estão destruindo nossas estatais, o serviço público, nosso SUS, nossas universidades, nossas riquezas naturais, etc. Tudo caminha para a privatização das universidades públicas. Temos que reagir em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade. Essa luta é conjunta entre docentes, discentes, técnicos administrativos em educação, sindicatos e a população. A roda de conversa : ‘Projeto neoliberal e o fim da universidade pública” é apenas o começo de vários outros assuntos de debates que iremos promover. Precisamos mais do que nunca defender nossos direitos consagrados pela Constituição Federal de 1988”, finaliza.

FORMA DE GOVERNO – Para o médico e advogado Wladimir Tadeu Baptista, o neoliberalismo prega e estimula o individualismo exacerbado, negando, assim, toda forma de solidariedade. Para os neoliberais, saúde, educação e previdência social não são direitos sociais, mas propriedades-mercadorias que devem ser “compradas” por aquele indivíduo que triunfou no mercado e que, portanto, dispõe de recurso mais do que suficiente para isso. A exacerbação do individualismo faz com que o outro indivíduo seja visto sempre como uma ameaça ao seu sucesso, ao seu triunfo, gerando inúmeras e fortes zonas de tensão social dentro da coletividade. Sendo saúde, educação e previdência social propriedades-mercadorias, estas devem existir e funcionar dentro de um ambiente de mercado e sendo geridos por homens de negócios, sob a lógica do lucro e da produtividade.
Como ideologia, o neoliberalismo visa promover todo o tipo de reforma do Estado, particularmente reformas envolvendo o currículo escolar, a Administração Pública, a saúde pública e a própria legislação inscrita na Constituição Federal de 1988. Desse modo, o neoliberalismo se apresenta como um projeto de poder. Na verdade, o neoliberalismo adota a chamada “pedagogia da exclusão” em todos os setores da Ordem Social, afirma.

“No neoliberalismo, ainda segundo o advogado médico do SUS,  tudo é privatizado, inclusive o sucesso e o fracasso. Assim, se o indivíduo não conseguiu triunfar em uma sociedade de mercado, a culpa é dele mesmo que não soube trabalhar direito e aproveitar todas as oportunidades que o mercado oferece. Para os neoliberais, o sistema educacional deve atender tão-somente às necessidades do mercado (do capital), nada tendo a ver com a formação humana como cidadão. Para os neoliberais, direitos sociais são um obstáculo ao desenvolvimento nacional. Para os neoliberais, o valor pago como salário para o trabalhador deve ser aquele suficiente para garantir a sua subsistência, nada mais do que isto. O neoliberalismo não convive bem com o Estado Social”.

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